Entre o primeiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2026, o preço médio nacional da gasolina comum passou de R$ 4,53 para R$ 6,67 por litro. No mesmo período, o diesel S10 subiu de R$ 3,77 para R$ 7,24, enquanto o botijão de gás de 13 quilos avançou de R$ 69,86 para R$ 114,31.
Esses números, porém, não contam toda a história. A inflação geral acumulada entre as médias dos dois períodos foi de aproximadamente 42,8%. Isso significa que parte do aumento nominal simplesmente acompanhou a perda de poder de compra do real, enquanto alguns produtos encareceram muito acima da inflação e outros ficaram abaixo dela.
Este levantamento utiliza exclusivamente dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central, Tesouro Nacional, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), legislação federal e comunicados oficiais da Petrobras.
Como os dados foram calculados
Para gasolina, etanol, diesel S10 e GLP, foram calculadas médias aritméticas dos preços médios mensais nacionais divulgados pela ANP. Os combustíveis líquidos são apresentados em reais por litro e o GLP corresponde ao botijão de 13 quilos.
No terceiro trimestre de 2020, a planilha nacional não apresenta observação para julho; por isso, a média considera agosto e setembro. O terceiro trimestre de 2026 é parcial e contém apenas julho.
Para os alimentos, o IBGE não divulga uma série nacional contínua de preços médios em reais. Uma média desse tipo também poderia ser enganosa, pois embalagens, marcas e estabelecimentos mudam ao longo do tempo. Foi utilizado, portanto, o índice oficial de preços de cada produto no IPCA, calculado a partir das variações mensais e normalizado para que a média do primeiro trimestre de 2020 seja igual a 100.
Na carne bovina, foi mantido sempre o mesmo corte: contrafilé. No leite, foi utilizado o leite longa vida. No feijão, o feijão-carioca.
Dívida é um estoque, e não um preço médio. Por isso, são apresentados o estoque da Dívida Pública Federal no encerramento de cada trimestre e a Dívida Bruta do Governo Geral como proporção do PIB. A Selic corresponde à meta vigente no fim de cada trimestre.
Preço médio trimestral dos combustíveis
Fonte: Série Histórica de Preços da ANP.
| Trimestre | Gasolina comum | Etanol hidratado | Diesel S10 | GLP P13 |
| ------------------------- | -------------: | ---------------: | ---------: | --------: |
| 2020 T1 | R$ 4,53 | R$ 3,22 | R$ 3,77 | R$ 69,86 |
| 2020 T2 | R$ 3,95 | R$ 2,66 | R$ 3,23 | R$ 69,67 |
| 2020 T3 | R$ 4,19 | R$ 2,75 | R$ 3,38 | R$ 69,97 |
| 2020 T4 | R$ 4,42 | R$ 3,10 | R$ 3,62 | R$ 73,19 |
| 2021 T1 | R$ 5,02 | R$ 3,56 | R$ 4,03 | R$ 79,90 |
| 2021 T2 | R$ 5,58 | R$ 4,14 | R$ 4,45 | R$ 85,94 |
| 2021 T3 | R$ 5,94 | R$ 4,50 | R$ 4,70 | R$ 94,36 |
| 2021 T4 | R$ 6,58 | R$ 5,13 | R$ 5,32 | R$ 101,85 |
| 2022 T1 | R$ 6,75 | R$ 4,87 | R$ 5,87 | R$ 104,74 |
| 2022 T2 | R$ 7,26 | R$ 5,17 | R$ 7,01 | R$ 112,97 |
| 2022 T3 | R$ 5,48 | R$ 3,93 | R$ 7,23 | R$ 112,02 |
| 2022 T4 | R$ 4,97 | R$ 3,74 | R$ 6,62 | R$ 109,70 |
| 2023 T1 | R$ 5,22 | R$ 3,87 | R$ 6,18 | R$ 107,91 |
| 2023 T2 | R$ 5,43 | R$ 3,90 | R$ 5,44 | R$ 106,11 |
| 2023 T3 | R$ 5,72 | R$ 3,69 | R$ 5,60 | R$ 101,50 |
| 2023 T4 | R$ 5,65 | R$ 3,55 | R$ 6,15 | R$ 101,36 |
| 2024 T1 | R$ 5,69 | R$ 3,52 | R$ 5,95 | R$ 101,72 |
| 2024 T2 | R$ 5,84 | R$ 3,81 | R$ 5,94 | R$ 101,64 |
| 2024 T3 | R$ 6,08 | R$ 4,04 | R$ 6,01 | R$ 104,05 |
| 2024 T4 | R$ 6,11 | R$ 4,07 | R$ 6,06 | R$ 106,94 |
| 2025 T1 | R$ 6,29 | R$ 4,31 | R$ 6,35 | R$ 107,25 |
| 2025 T2 | R$ 6,28 | R$ 4,27 | R$ 6,15 | R$ 108,24 |
| 2025 T3 | R$ 6,20 | R$ 4,20 | R$ 6,05 | R$ 108,55 |
| 2025 T4 | R$ 6,19 | R$ 4,33 | R$ 6,06 | R$ 110,29 |
| 2026 T1 | R$ 6,40 | R$ 4,63 | R$ 6,44 | R$ 110,15 |
| 2026 T2 | R$ 6,67 | R$ 4,37 | R$ 7,24 | R$ 114,31 |
| 2026 T3, parcial de julho | R$ 6,57 | R$ 4,04 | R$ 6,96 | R$ 114,22 |
Entre o primeiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2026, as altas nominais foram de aproximadamente:
* Gasolina comum: 47,2%;
* Etanol hidratado: 35,7%;
* Diesel S10: 92,0%;
* Botijão de gás: 63,6%.
Considerando que o nível geral de preços subiu aproximadamente 42,8%, a gasolina ficou cerca de 3% mais cara em termos reais. O etanol ficou aproximadamente 5% mais barato. O diesel S10 encareceu cerca de 34% acima da inflação e o botijão, aproximadamente 15%.
Isso não significa que apenas o preço cobrado pelas refinarias explique o resultado. O valor final inclui combustível produzido ou importado, biocombustíveis misturados, tributos, custos logísticos e margens de distribuição e revenda. A própria Petrobras esclarece que seu preço representa somente uma parcela do que é pago pelo consumidor. A composição atual pode ser consultada no painel oficial da empresa.
Evolução dos alimentos
Base: média do primeiro trimestre de 2020 = 100. Um índice de 150 representa um preço médio aproximadamente 50% superior ao período-base.
Fonte: Tabela 7060 do IPCA no Sidra/IBGE.
| Trimestre | Arroz | Feijão-carioca | Contrafilé | Leite longa vida |
| --------- | ----: | -------------: | ---------: | ---------------: |
| 2020 T1 | 100,0 | 100,0 | 100,0 | 100,0 |
| 2020 T2 | 107,7 | 123,6 | 94,6 | 111,0 |
| 2020 T3 | 122,1 | 118,3 | 101,5 | 122,6 |
| 2020 T4 | 164,2 | 117,7 | 117,5 | 126,1 |
| 2021 T1 | 169,1 | 120,7 | 126,2 | 120,6 |
| 2021 T2 | 163,2 | 120,1 | 129,0 | 121,8 |
| 2021 T3 | 154,9 | 118,3 | 132,9 | 131,6 |
| 2021 T4 | 146,2 | 113,4 | 136,3 | 125,8 |
| 2022 T1 | 140,3 | 116,8 | 144,1 | 126,4 |
| 2022 T2 | 145,9 | 143,4 | 146,2 | 158,5 |
| 2022 T3 | 144,4 | 145,4 | 143,1 | 203,5 |
| 2022 T4 | 146,9 | 135,3 | 143,6 | 161,1 |
| 2023 T1 | 158,4 | 150,6 | 142,0 | 157,3 |
| 2023 T2 | 161,2 | 154,8 | 135,7 | 168,8 |
| 2023 T3 | 162,7 | 123,8 | 127,2 | 158,1 |
| 2023 T4 | 179,4 | 112,4 | 129,5 | 142,5 |
| 2024 T1 | 204,7 | 138,4 | 130,9 | 146,7 |
| 2024 T2 | 205,4 | 128,5 | 125,7 | 162,6 |
| 2024 T3 | 207,2 | 116,1 | 127,4 | 171,0 |
| 2024 T4 | 205,6 | 112,1 | 148,4 | 171,5 |
| 2025 T1 | 199,4 | 107,6 | 158,2 | 165,7 |
| 2025 T2 | 180,7 | 110,2 | 154,6 | 170,5 |
| 2025 T3 | 165,2 | 105,8 | 153,2 | 168,5 |
| 2025 T4 | 153,3 | 106,7 | 156,3 | 155,5 |
| 2026 T1 | 144,9 | 120,3 | 164,5 | 144,5 |
| 2026 T2 | 148,6 | 151,6 | 170,2 | 178,1 |
Na comparação entre o primeiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2026, o arroz subiu 48,6%, o feijão-carioca 51,6%, o contrafilé 70,2% e o leite longa vida 78,1%.
Descontada a inflação geral do período, as altas aproximadas foram de 4% no arroz, 6% no feijão-carioca, 19% no contrafilé e 25% no leite longa vida.
As trajetórias foram muito diferentes. O arroz teve seu maior salto em 2020 e alcançou novo patamar entre o fim de 2023 e 2024. O feijão oscilou intensamente, aproximou-se da base original em 2025 e voltou a subir em 2026. O leite alcançou um pico excepcional no terceiro trimestre de 2022, recuou posteriormente e tornou a subir em 2026. O contrafilé apresentou uma valorização mais gradual, com aceleração a partir do fim de 2024.
Dívida pública e taxa Selic
A Dívida Pública Federal, ou DPF, corresponde aos títulos e contratos sob responsabilidade do Tesouro Nacional. Já a Dívida Bruta do Governo Geral, ou DBGG, inclui Governo Federal, INSS, estados, municípios e operações compromissadas do Banco Central. Por isso, os dois números não devem ser tratados como sinônimos.
Fontes: Tesouro Nacional — estoque mensal da DPF, Banco Central — DBGG como proporção do PIB e histórico oficial da Selic.
| Trimestre | DPF no fim do trimestre | DBGG/PIB | Selic no fim do trimestre |
| --------- | ----------------------: | -------: | ------------------------: |
| 2020 T1 | R$ 4,215 trilhões | 76,78% | 3,75% ao ano |
| 2020 T2 | R$ 4,390 trilhões | 82,87% | 2,25% ao ano |
| 2020 T3 | R$ 4,527 trilhões | 87,42% | 2,00% ao ano |
| 2020 T4 | R$ 5,010 trilhões | 86,94% | 2,00% ao ano |
| 2021 T1 | R$ 5,243 trilhões | 85,10% | 2,75% ao ano |
| 2021 T2 | R$ 5,330 trilhões | 80,60% | 4,25% ao ano |
| 2021 T3 | R$ 5,443 trilhões | 79,62% | 6,25% ao ano |
| 2021 T4 | R$ 5,614 trilhões | 77,31% | 9,25% ao ano |
| 2022 T1 | R$ 5,565 trilhões | 76,40% | 11,75% ao ano |
| 2022 T2 | R$ 5,846 trilhões | 75,61% | 13,25% ao ano |
| 2022 T3 | R$ 5,752 trilhões | 74,15% | 13,75% ao ano |
| 2022 T4 | R$ 5,951 trilhões | 71,68% | 13,75% ao ano |
| 2023 T1 | R$ 5,893 trilhões | 71,54% | 13,75% ao ano |
| 2023 T2 | R$ 6,191 trilhões | 71,97% | 13,75% ao ano |
| 2023 T3 | R$ 6,076 trilhões | 73,01% | 12,75% ao ano |
| 2023 T4 | R$ 6,520 trilhões | 73,83% | 11,75% ao ano |
| 2024 T1 | R$ 6,638 trilhões | 75,02% | 10,75% ao ano |
| 2024 T2 | R$ 7,068 trilhões | 76,68% | 10,50% ao ano |
| 2024 T3 | R$ 6,948 trilhões | 77,09% | 10,75% ao ano |
| 2024 T4 | R$ 7,316 trilhões | 76,27% | 12,25% ao ano |
| 2025 T1 | R$ 7,508 trilhões | 75,55% | 14,25% ao ano |
| 2025 T2 | R$ 7,883 trilhões | 76,30% | 15,00% ao ano |
| 2025 T3 | R$ 8,122 trilhões | 77,84% | 15,00% ao ano |
| 2025 T4 | R$ 8,635 trilhões | 78,64% | 15,00% ao ano |
| 2026 T1 | R$ 8,633 trilhões | 79,88% | 14,75% ao ano |
| 2026 T2 | R$ 9,268 trilhões | 81,94% | 14,25% ao ano |
A DPF nominal mais do que dobrou entre março de 2020 e junho de 2026, avançando aproximadamente 120%. Isso não significa que a dívida tenha duplicado em relação ao tamanho da economia.
A DBGG passou de 76,78% para 81,94% do PIB, aumento de 5,16 pontos percentuais. Seu maior nível na série trimestral analisada ocorreu em setembro de 2020, com 87,42% do PIB, durante a pandemia.
Esse contraste é importante. O estoque nominal cresce com novas emissões, apropriação de juros e correção dos títulos, enquanto a relação dívida/PIB também depende do crescimento real da economia e da inflação, que elevam o PIB nominal.
Juros mais altos aumentam gradualmente o custo da dívida, mas não fazem todo o estoque ser imediatamente remunerado pela Selic. Parte da DPF possui taxas prefixadas ou correção pela inflação, e os efeitos aparecem conforme títulos são atualizados, vencem ou são refinanciados.
O que explica as principais mudanças
2020: pandemia, queda dos combustíveis e disparada dos alimentos
No segundo trimestre de 2020, as restrições de circulação e a retração econômica derrubaram a demanda por petróleo. A EPE registrou que a queda dos preços internacionais reduziu os preços de gasolina e diesel, mesmo com a desvalorização do real. A gasolina caiu de R$ 4,53 no primeiro trimestre para R$ 3,95 no segundo; o diesel S10 passou de R$ 3,77 para R$ 3,23. A análise oficial está na nota da EPE sobre os impactos da pandemia.
Ao mesmo tempo, alimentos avançaram. Segundo o IBGE, o arroz acumulou alta de 76,01% ao longo de 2020, o leite longa vida subiu 26,93% e as carnes, 17,97%. A combinação incluiu maior consumo doméstico, problemas de oferta, aumento das exportações e câmbio depreciado. O IPCA terminou o ano em 4,52%. Os dados constam no balanço oficial do IPCA de 2020.
A Selic caiu para 2% ao ano diante da recessão e das incertezas. Os gastos emergenciais, a queda da arrecadação e a contração do PIB contribuíram para levar a DBGG a 87,42% do PIB no terceiro trimestre.
2021: reabertura, commodities e início do ciclo de juros
A retomada da atividade mundial elevou a procura por energia e matérias-primas, enquanto gargalos logísticos continuaram afetando a oferta. A desvalorização cambial também aumentou o custo, em reais, de produtos vinculados ao mercado internacional.
A gasolina passou de R$ 5,02 no primeiro trimestre para R$ 6,58 no quarto. O diesel S10 avançou de R$ 4,03 para R$ 5,32 e o botijão chegou a R$ 101,85.
O IBGE calculou alta de 47,49% na gasolina durante 2021, um dos maiores impactos individuais sobre a inflação de 10,06% daquele ano. O balanço oficial de 2021 também registra pressões de energia, transportes e alimentos.
O Banco Central iniciou um ciclo de elevação da Selic, que saiu de 2% no fim de 2020 para 9,25% em dezembro de 2021. O BC apontou commodities, derivados de petróleo, energia elétrica, alimentos, gargalos produtivos e expectativas de inflação entre as pressões daquele momento, conforme o Relatório de Inflação de setembro de 2021.
2022: guerra, petróleo, tributos e forte volatilidade
A invasão da Ucrânia pela Rússia ampliou a incerteza sobre petróleo, gás, fertilizantes, trigo e outras commodities. A gasolina alcançou média trimestral de R$ 7,26 no segundo trimestre e o diesel S10 continuou subindo, chegando a R$ 7,23 no terceiro.
No meio do ano, mudanças tributárias alteraram essa trajetória. A Lei Complementar nº 194 classificou combustíveis como bens essenciais e limitou a incidência do ICMS. Tributos federais também foram reduzidos ou zerados em determinados combustíveis. O texto pode ser consultado no Planalto.
A gasolina caiu para R$ 5,48 no terceiro trimestre e R$ 4,97 no quarto. O diesel demorou mais a recuar porque seu mercado, sua composição e seu abastecimento possuem características diferentes.
Nos alimentos, o leite longa vida atingiu o maior pico da série, com índice 203,5 no terceiro trimestre, mais que o dobro da base de 2020. O IPCA encerrou 2022 em 5,79%, mas os alimentos acumularam alta significativamente maior. O resultado completo está no relatório do IBGE.
A Selic chegou a 13,75% em agosto e permaneceu nesse patamar pelo restante do ano.
2023: retorno de tributos e nova estratégia da Petrobras
Em março de 2023 ocorreu a reoneração parcial de tributos federais sobre gasolina e etanol. A EPE registra impacto tributário de R$ 0,47 por litro na gasolina e R$ 0,02 no etanol naquele momento. Posteriormente, entrou em vigor a cobrança de ICMS por valores fixos por litro.
Em maio, a Petrobras substituiu sua política anterior por uma nova estratégia comercial, que passou a considerar referências alternativas de mercado, custo do cliente e condições competitivas, sem abandonar a influência dos preços internacionais. A mudança é explicada nas perguntas frequentes oficiais da Petrobras.
A gasolina oscilou entre R$ 5,22 e R$ 5,72 ao longo dos trimestres. O botijão caiu de R$ 107,91 para R$ 101,36. Nos alimentos, feijão e leite recuaram no segundo semestre, enquanto o arroz voltou a subir.
O Banco Central começou a reduzir a Selic em agosto, encerrando 2023 em 11,75%. A DBGG, entretanto, voltou a crescer em proporção do PIB, de 71,54% no primeiro trimestre para 73,83% no fim do ano.
2024: combustíveis relativamente estáveis, enchentes e nova alta dos juros
Durante o primeiro semestre, gasolina, diesel e botijão apresentaram estabilidade relativa. Em julho, a Petrobras aumentou o preço da gasolina A para as distribuidoras em R$ 0,20 por litro e o GLP em valor equivalente a R$ 3,10 por botijão. A empresa informou que era o primeiro reajuste para cima da gasolina em quase um ano e o primeiro do GLP desde 2022. O comunicado está disponível na Agência Petrobras.
As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram transporte, produção e abastecimento regional. O Banco Central identificou impactos especialmente sobre alimentos e sobre o gás de botijão em Porto Alegre. Entretanto, o índice nacional do arroz já estava acima de 200 no primeiro trimestre, antes das enchentes. Portanto, atribuir toda a alta do arroz de 2024 ao desastre seria incorreto. A análise regional consta no Relatório de Inflação de junho de 2024.
O IPCA fechou 2024 em 4,83%, e a gasolina teve o maior impacto individual, com alta acumulada de 9,71%, segundo o IBGE.
A Selic caiu até 10,50% em maio. Em setembro, o Banco Central iniciou novo ciclo de elevação, citando inflação resistente, atividade econômica aquecida e expectativas acima da meta. A taxa terminou o ano em 12,25%.
2025: melhora da safra, queda do arroz e Selic a 15%
A maior produção agrícola ajudou a ampliar a disponibilidade de grãos. O IBGE estimava crescimento de 10,2% na safra de 2025, com aumento de área para arroz e feijão, conforme seu levantamento agrícola.
O índice do arroz caiu de 199,4 no primeiro trimestre para 153,3 no quarto. O leite também terminou o ano abaixo de seu nível do fim de 2024. O contrafilé, porém, permaneceu elevado.
Em junho, a Petrobras reduziu em 5,6% o preço da gasolina A para as distribuidoras, equivalente a R$ 0,17 por litro. O preço médio ao consumidor recuou mais lentamente, pois a refinaria representa somente uma parte do valor final. O comunicado está disponível na Agência Petrobras.
O IPCA fechou 2025 em 4,26%. Os produtos alimentícios subiram 2,95%, desacelerando em relação a 2024, de acordo com o balanço anual do IBGE.
O Banco Central elevou a Selic até 15% em junho e manteve esse nível até o fim do ano. O BC citava inflação acima da meta, expectativas desancoradas e atividade econômica resistente. A DBGG terminou 2025 em 78,64% do PIB.
2026: choque internacional no petróleo, diesel e dívida em alta
No início de 2026, a Petrobras reduziu o preço da gasolina A em R$ 0,14 por litro. Pouco depois, o agravamento do conflito no Oriente Médio e a alta abrupta do petróleo voltaram a pressionar principalmente o diesel.
O governo federal reconheceu oficialmente o choque internacional na exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.340. A medida criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para o diesel rodoviário e tributação temporária sobre exportações de petróleo e diesel. A justificativa pode ser consultada no documento oficial do Planalto, e a metodologia da subvenção foi regulamentada pela ANP.
Mesmo com a subvenção, o diesel S10 alcançou média de R$ 7,24 no segundo trimestre. Em julho, já havia recuado para média mensal de R$ 6,96. A gasolina também caiu de R$ 6,67 no segundo trimestre para R$ 6,57 em julho.
Nos alimentos, feijão-carioca, contrafilé e leite voltaram a subir no segundo trimestre. Esses movimentos não foram uniformes: o arroz permaneceu muito abaixo do pico observado em 2024.
O Banco Central reduziu a Selic para 14,50% em abril e 14,25% em junho, mas manteve uma postura cautelosa diante das expectativas de inflação ainda acima da meta. A avaliação consta na ata de junho de 2026.
A DBGG chegou a 81,94% do PIB em junho, enquanto a DPF alcançou R$ 9,268 trilhões. O crescimento nominal da dívida refletiu emissões, juros apropriados e refinanciamento, enquanto a relação com o PIB também foi afetada pelos resultados fiscais e pelo ritmo de crescimento da economia.
O que os números permitem concluir
Os dados não sustentam uma explicação única para as mudanças de preços desde 2020. A trajetória foi determinada por uma combinação de:
* pandemia e retração da demanda;
* reabertura das economias;
* câmbio;
* preços internacionais de petróleo e outras commodities;
* guerras e tensões geopolíticas;
* tributos federais e estaduais;
* política comercial das refinarias;
* margens de distribuição e revenda;
* safras, clima e custos agropecuários;
* inflação acumulada;
* política monetária e expectativas;
* situação fiscal e crescimento do PIB.
Também não é correto afirmar que a alta da dívida provoca automaticamente uma elevação imediata dos preços. Dívida, juros, câmbio, inflação e atividade econômica se influenciam, mas as relações possuem defasagens e dependem das condições fiscais e monetárias.
Entre 2020 e 2026, gasolina e arroz ficaram relativamente próximos da inflação acumulada. Etanol ficou abaixo dela. Diesel, botijão, leite e contrafilé encareceram de maneira mais intensa em termos reais.
A dívida nominal mais do que dobrou, mas a dívida bruta como proporção do PIB cresceu de forma muito mais moderada e continuava, em junho de 2026, abaixo do pico registrado durante a pandemia. Ao mesmo tempo, a Selic permaneceu em nível elevado, mostrando que a inflação corrente havia desacelerado, mas os riscos e as expectativas ainda impediam uma redução rápida dos juros.
Os valores representam médias nacionais. Estados, municípios, supermercados e postos podem apresentar diferenças expressivas por causa de impostos, logística, concorrência, renda, produção regional e estrutura de distribuição.