A corrida pela Presidência da República começa a ganhar contornos mais definidos com a oficialização das candidaturas e a divulgação de novas pesquisas eleitorais.
Levantamento realizado pela Nexus, sob encomenda do banco BTG Pactual, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança dos cenários de primeiro e segundo turno. Na simulação principal para a primeira votação, Lula aparece com 42% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 33%. (Reuters)
Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 6%; Renan Santos, com 5%; e Romeu Zema, com 3%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 24 e 26 de julho e possui margem de erro de dois pontos percentuais. (Reuters)
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois primeiros colocados, Lula alcança 47%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. A diferença numérica é de quatro pontos percentuais. (Reuters)
Vantagem de Lula não representa eleição definida
Embora Lula apareça na liderança, o resultado não permite afirmar que a eleição esteja decidida.
Considerando a margem de erro de dois pontos, a votação estimada de Lula poderia variar entre 45% e 49%, enquanto a de Flávio Bolsonaro poderia ficar entre 41% e 45%. Isso mostra que o presidente possui uma vantagem numérica, mas a disputa ainda pode mudar durante os meses de campanha.
No levantamento anterior da mesma série, divulgado em 13 de julho, Lula também registrava 47% no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 44%. A nova pesquisa, portanto, mostra estabilidade para Lula e uma oscilação negativa de um ponto para o candidato do PL. (Reuters)
Oscilações dessa dimensão podem ocorrer dentro da própria margem de erro. Para identificar uma tendência consistente, será necessário acompanhar diferentes institutos e observar se o movimento se repete nas próximas semanas.
Pesquisas eleitorais representam uma fotografia das opiniões existentes no período em que as entrevistas são realizadas. Elas não são previsões exatas do resultado das urnas.
Primeiro turno continua concentrado nos dois principais candidatos
A diferença entre Lula, com 42%, e Flávio Bolsonaro, com 33%, mostra uma concentração considerável da disputa presidencial nos dois candidatos.
Somados, os dois reúnem 75% das intenções de voto apresentadas no cenário de primeiro turno. Os demais candidatos testados dividem uma parcela bem menor do eleitorado. (Reuters)
Ronaldo Caiado aparece em terceiro lugar, com 6%. Renan Santos registra 5%, enquanto Romeu Zema tem 3%.
Mesmo com percentuais menores, esses candidatos poderão exercer influência importante na eleição. Eles disputarão eleitores que rejeitam tanto o atual governo quanto o bolsonarismo e poderão contribuir para definir quais temas ganharão espaço nos debates.
Uma candidatura que obtenha entre 5% e 10% dos votos também poderá ter peso relevante em uma eventual segunda rodada, principalmente caso seus eleitores não migrem automaticamente para um dos dois líderes.
Renan Santos e Flávio Bolsonaro já foram oficializados
O Partido Missão antecipou sua convenção e homologou a candidatura de Renan Santos à Presidência em 20 de julho. O lançamento público da campanha do candidato está programado para 1º de agosto. (Correio Braziliense)
O Partido Liberal oficializou Flávio Bolsonaro como candidato em convenção realizada no dia 25 de julho, em São Paulo. O senador afirmou que pretende dar continuidade ao legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. (Agência Brasil)
A convenção do PL contou com a participação do presidente argentino Javier Milei e com manifestações de apoio de integrantes da família Bolsonaro e de lideranças políticas estrangeiras. (Agência Brasil)
Flávio Bolsonaro apresentou como pontos centrais de sua campanha propostas relacionadas à redução de impostos, ao endurecimento das políticas de segurança pública e à continuidade das principais bandeiras conservadoras defendidas pelo pai. (Reuters)
Apesar da formalização, a candidatura ainda enfrenta dificuldades para ampliar alianças com partidos de centro e definir o nome que ocupará a vaga de vice-presidente. (AP News)
Lula será oficializado pelo PT em agosto
O Partido dos Trabalhadores programou para 2 de agosto, em São Paulo, a convenção que deverá oficializar a candidatura de Lula à reeleição. (Gazeta do Povo)
A escolha de São Paulo para o evento está relacionada à importância eleitoral do estado, que possui o maior número de eleitores do país e deverá ser um dos principais campos de disputa entre governo e oposição. (CNN Brasil)
Lula tentará conquistar um quarto mandato presidencial. Sua campanha deverá utilizar os programas sociais, os investimentos públicos, a recuperação do emprego e a redução recente da inflação como argumentos favoráveis à continuidade do governo.
A oposição, por outro lado, deverá concentrar críticas no custo de vida, na carga tributária, nas despesas públicas, na segurança e nas decisões políticas tomadas durante o atual mandato.
Esses temas ainda poderão mudar de importância conforme novos dados econômicos forem divulgados e acontecimentos nacionais ou internacionais alterarem a percepção dos eleitores.
Convenções definem o tabuleiro eleitoral
O período oficial das convenções partidárias começou em 20 de julho e termina em 5 de agosto.
Durante essas reuniões, partidos e federações escolhem formalmente seus candidatos a presidente, vice-presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Também são definidas as coligações para os cargos majoritários. (Justiça Eleitoral)
A realização de uma convenção não significa que a candidatura esteja definitivamente aprovada pela Justiça Eleitoral.
Depois da escolha partidária, os documentos precisam ser enviados para registro. O prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de candidatura termina em 15 de agosto. (Justiça Eleitoral)
A Justiça Eleitoral poderá analisar documentos, condições de elegibilidade, possíveis causas de impedimento e eventuais contestações apresentadas contra os candidatos.
Até a conclusão desse processo, os nomes escolhidos pelos partidos podem ser chamados de candidatos oficializados pelas convenções, mas ainda dependem do registro eleitoral.
Campanha oficial começa em 16 de agosto
A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet será autorizada a partir de 16 de agosto. Somente depois dessa data os candidatos poderão realizar pedidos explícitos de voto dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. (Justiça Eleitoral)
O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro. (Justiça Eleitoral)
A divisão do tempo de propaganda considera a representação dos partidos na Câmara dos Deputados. A presença em debates promovidos por emissoras também está relacionada à representação das legendas no Congresso Nacional. (Justiça Eleitoral)
Esse fator pode favorecer candidatos apoiados por grandes partidos ou coligações amplas. Candidaturas menores dependerão mais das redes sociais, de entrevistas, eventos públicos e conteúdos digitais para alcançar o eleitorado.
A campanha oficial também deverá aumentar a quantidade de pesquisas. Depois da publicação dos registros de candidatura, todos os nomes registrados precisarão aparecer nas listas apresentadas aos entrevistados nos levantamentos estimulados. (Justiça Eleitoral)
Economia terá papel central na disputa
A percepção da população sobre a economia deverá ser um dos principais fatores da eleição.
Inflação, preço dos alimentos, energia elétrica, combustíveis, emprego, salários e acesso ao crédito influenciam diretamente a avaliação do governo. Mesmo quando os indicadores gerais melhoram, a reação eleitoral depende de essa melhora ser percebida no orçamento das famílias.
Lula deverá argumentar que seu governo conseguiu reduzir a inflação, preservar programas sociais e manter o mercado de trabalho aquecido.
A oposição tentará demonstrar que o custo de vida continua alto, que os impostos pesam sobre consumidores e empresas e que o crescimento econômico poderia ser maior.
As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros também entraram na campanha. Lula e Flávio Bolsonaro passaram a trocar acusações sobre a responsabilidade pela crise comercial e sobre a melhor forma de negociar com o governo norte-americano. (Reuters)
Uma pesquisa citada pela Reuters indicou que o conflito comercial poderia favorecer o discurso de Lula sobre soberania nacional, embora os efeitos eleitorais ainda possam mudar conforme as tarifas atinjam empresas, empregos e preços. (Reuters)
Segurança pública deverá ser outro tema decisivo
Flávio Bolsonaro procura colocar o combate ao crime no centro de sua campanha, defendendo medidas mais duras e associando sua candidatura à política de segurança promovida pelo pai. (Reuters)
Ronaldo Caiado também possui histórico político fortemente relacionado à segurança pública e poderá disputar diretamente parte do eleitorado conservador.
Renan Santos, por sua vez, tenta se apresentar como uma alternativa ao PT e ao bolsonarismo, utilizando propostas de redução de despesas públicas, reorganização administrativa e cobrança de resultados dos governos.
Romeu Zema deverá buscar eleitores liberais, empresários e pessoas favoráveis à redução do tamanho do Estado.
A presença de diferentes candidaturas de direita e centro-direita pode fragmentar os votos da oposição no primeiro turno. Ao mesmo tempo, esses candidatos poderão atrair pessoas que não escolheriam imediatamente Flávio Bolsonaro.
Rejeição poderá ser tão importante quanto intenção de voto
Em eleições polarizadas, não basta observar apenas quantas pessoas declaram voto em cada candidato. A rejeição também possui grande importância.
Um candidato pode liderar o primeiro turno, mas enfrentar dificuldades para crescer caso uma parcela elevada da população afirme que não votaria nele em nenhuma circunstância.
Lula possui uma base eleitoral consolidada, mas também enfrenta rejeição entre eleitores contrários ao PT.
Flávio Bolsonaro herda parte da base política do pai, mas também recebe a rejeição acumulada contra a família Bolsonaro e precisa conquistar eleitores moderados que não fazem parte do núcleo conservador mais fiel.
Os candidatos menores tentarão explorar justamente essa rejeição dupla. O desafio será convencer o eleitor de que possuem estrutura política, alianças e capacidade suficiente para governar o país.
Eleição ocorrerá em outubro
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro de 2026. Além do presidente da República, os brasileiros escolherão governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. (Justiça Eleitoral)
Caso nenhum candidato à Presidência obtenha mais da metade dos votos válidos, os dois primeiros colocados disputarão o segundo turno em 25 de outubro. (Justiça Eleitoral)
A votação ocorrerá das 8h às 17h, seguindo o horário oficial de Brasília em todo o país. (Justiça Eleitoral)
Eleitores que estiverem fora de seu domicílio eleitoral poderão solicitar habilitação para o voto em trânsito até 20 de agosto, desde que cumpram as condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral. (Justiça Eleitoral)
O que a pesquisa mostra neste momento
O levantamento BTG Pactual/Nexus mostra três elementos principais.
O primeiro é que Lula permanece na liderança e inicia a fase das convenções em posição favorável.
O segundo é que Flávio Bolsonaro conseguiu consolidar-se como principal adversário do presidente, mantendo distância considerável dos demais candidatos.
O terceiro é que a vantagem de Lula no segundo turno ainda não é suficientemente ampla para eliminar a possibilidade de uma disputa apertada.
A campanha oficial, o horário eleitoral, os debates e a apresentação dos programas de governo ainda poderão alterar o cenário.
Também existe uma parcela do eleitorado que poderá mudar de posição conforme avalia candidatos a governador, alianças regionais, nomes dos candidatos a vice e acontecimentos econômicos.
Por enquanto, Lula aparece como favorito, mas não como vencedor antecipado. Flávio Bolsonaro possui uma base eleitoral relevante, porém precisará reduzir sua rejeição e ampliar alianças para alcançar o presidente.
Caiado, Renan e Zema enfrentarão o desafio de romper a polarização e demonstrar que podem transformar seus percentuais atuais em candidaturas competitivas.
A fase das pré-candidaturas está terminando. A partir de agosto, propostas, alianças, debates e desempenho público passarão a pesar mais do que especulações sobre quais nomes realmente participarão da eleição.