Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e dirigente do Partido Missão, apresenta-se na disputa presidencial defendendo uma alternativa ao Partido dos Trabalhadores e ao bolsonarismo.
Sua plataforma combina liberalismo econômico, endurecimento das políticas de segurança, reformas administrativas e mudanças profundas na educação.
As propostas deste artigo foram organizadas com base nos discursos, entrevistas e materiais divulgados por Renan Santos e pelo Partido Missão. O texto apresenta uma síntese das posições públicas do pré-candidato e não deve ser confundido com o programa oficial definitivo que será registrado na Justiça Eleitoral.
Declaração de guerra ao crime organizado
Renan Santos afirma que o Brasil precisa tratar as organizações criminosas como estruturas capazes de desafiar o Estado.
Sua proposta central é estabelecer um modelo penal específico para integrantes de facções que controlem territórios, mantenham arsenais, explorem atividades econômicas ilegais e imponham regras à população.
O pré-candidato defende operações permanentes contra lideranças, fontes de financiamento e redes logísticas das organizações criminosas.
A estratégia envolveria Polícia Federal, forças estaduais, órgãos de inteligência, Receita Federal e autoridades de controle financeiro.
Bloqueio do dinheiro das facções
Renan argumenta que prender criminosos sem atingir seu patrimônio não é suficiente.
Por isso, defende ampliar o rastreamento de movimentações financeiras, empresas de fachada, imóveis, contas bancárias, criptomoedas e bens utilizados para lavagem de dinheiro.
Os recursos apreendidos poderiam ser direcionados ao financiamento das forças de segurança e à recuperação das áreas afetadas pelo crime.
Sistema penitenciário separado para facções
Outra proposta é criar um regime prisional diferenciado para integrantes de organizações criminosas.
Lideranças de facções seriam isoladas em unidades de alta segurança, com comunicação rigorosamente controlada.
O objetivo seria impedir que presos continuem administrando atividades criminosas e transmitindo ordens para comparsas em liberdade.
Renan também defende ampliar a capacidade carcerária e estabelecer critérios diferentes para presos perigosos e condenados por crimes sem violência.
Reforma das polícias e valorização dos agentes
O pré-candidato propõe melhorar a integração entre as polícias e ampliar o uso de inteligência, tecnologia e análise de dados.
Também defende treinamento constante, melhores equipamentos, valorização salarial e apoio jurídico aos agentes de segurança.
Sua proposta busca reduzir a fragmentação entre órgãos federais e estaduais e criar sistemas nacionais para compartilhar informações sobre criminosos, armas e veículos.
Combate à corrupção e ao chamado cartel partidário
Renan Santos afirma que a política brasileira é controlada por grupos partidários que utilizam recursos públicos para conservar poder.
Ele defende maior transparência nos gastos governamentais, redução dos privilégios políticos e fiscalização rigorosa das emendas parlamentares.
O Partido Missão também sustenta que cargos técnicos devem ser ocupados por pessoas qualificadas, reduzindo indicações realizadas apenas para atender acordos partidários.
Fim de subsídios e benefícios para grupos privilegiados
Na economia, Renan defende revisar centenas de bilhões de reais em subsídios, renúncias fiscais e benefícios concedidos a setores empresariais.
Segundo sua proposta, incentivos que não produzam empregos, inovação ou aumento de produtividade seriam encerrados.
Parte dos recursos economizados seria direcionada à infraestrutura, educação, segurança e redução da dívida pública.
O pré-candidato afirma que o Estado não deve escolher empresas vencedoras por meio de favores políticos.
Reforma administrativa
Renan propõe reformar o serviço público e estabelecer avaliações de desempenho.
Servidores eficientes teriam oportunidades de progressão, enquanto casos persistentes de baixo desempenho seriam submetidos a processos de revisão.
A proposta também pretende reduzir cargos comissionados, digitalizar serviços e eliminar órgãos considerados redundantes.
Direitos adquiridos e garantias constitucionais seriam mantidos, mas novos servidores poderiam ingressar por regras diferentes.
Educação baseada em alfabetização e desempenho
A educação ocupa uma posição central nas propostas de Renan Santos.
Ele defende o uso do método fônico na alfabetização, no qual as crianças aprendem a relação entre letras e sons de forma sistemática.
A meta seria garantir que todos os alunos estejam alfabetizados nos primeiros anos do ensino fundamental.
O pré-candidato propõe avaliações nacionais frequentes para medir o aprendizado de alunos e o desempenho das escolas.
Escolas que apresentem resultados ruins receberiam intervenção, mudanças de gestão e novos planos pedagógicos.
Responsabilização e recuperação dos alunos
Renan afirma que a aprovação automática contribui para manter estudantes em séries avançadas sem o conhecimento necessário.
Sua proposta inclui recuperação obrigatória, reforço escolar e possibilidade de repetência quando o aluno não atingir os níveis mínimos de aprendizado.
Embora tenha utilizado a expressão punição para baixo rendimento em algumas apresentações, o objetivo declarado seria criar consequências acadêmicas e impedir que os problemas de aprendizagem sejam escondidos.
A aplicação dessa política precisaria considerar fatores sociais, deficiências, dificuldades familiares e condições estruturais das escolas.
Escolas cívico-militares
O pré-candidato também defende ampliar escolas cívico-militares.
Nesse modelo, militares ou agentes responsáveis pela disciplina atuariam ao lado de professores e profissionais da educação.
Renan afirma que esse sistema poderia melhorar segurança, organização e comportamento. Críticos, entretanto, questionam seus custos e resultados pedagógicos.
Ensino técnico e ligação com o mercado de trabalho
Renan propõe aumentar o número de cursos técnicos no ensino médio e aproximar escolas de empresas.
Os estudantes poderiam receber formação em tecnologia, indústria, construção, logística, energia, saúde e outros setores com demanda por trabalhadores.
A proposta também prevê estágios, programas de aprendizagem e parcerias com instituições privadas.
Infraestrutura e participação da iniciativa privada
Renan defende utilizar concessões e parcerias público-privadas para ampliar investimentos em estradas, ferrovias, portos, saneamento e energia.
O Estado atuaria como regulador e fiscalizador, enquanto empresas privadas participariam da construção e operação dos projetos.
O pré-candidato afirma que essa cooperação seria necessária para superar a falta de recursos públicos e acelerar obras.
Saúde pública com avaliação de resultados
Na saúde, Renan propõe manter o Sistema Único de Saúde, mas alterar sua gestão.
Hospitais, unidades básicas e contratos seriam avaliados por indicadores como tempo de espera, número de atendimentos, qualidade e custo.
Municípios e instituições com bons resultados poderiam receber incentivos adicionais.
A iniciativa privada e organizações sociais também poderiam participar da administração de unidades, desde que cumprissem metas e fossem submetidas à fiscalização.
Política externa pragmática
Renan defende que a política externa seja orientada pelos interesses econômicos e estratégicos do Brasil.
O país manteria relações comerciais com diferentes nações, mas adotaria posições mais duras contra governos autoritários e violações de direitos humanos.
Sua proposta também busca aproximar o Brasil de países que possam oferecer investimentos, tecnologia e acesso a mercados.
Síntese das propostas
As propostas de Renan Santos combinam combate rigoroso ao crime organizado, liberalização econômica, redução de subsídios, reforma administrativa e educação baseada em avaliações e mérito.
O pré-candidato procura apresentar o Partido Missão como uma alternativa geracional e política aos grupos que dominaram as últimas eleições.
Muitas medidas ainda precisam de detalhamento sobre custos, prazos, mudanças legislativas e efeitos sociais. O programa definitivo poderá alterar ou ampliar as propostas apresentadas durante a pré-campanha.